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Casa do Ceará em sua perspectiva histórica PDF Imprimir E-mail

(*) José Colombo de Souza Filho

Nos primeiros dias de Brasília como Capital do Brasil, desembarcavam no Aeroporto Local, dois típicos cearenses. José Ilenio Gurgel Bastos ( Aracati) e Jose Edmilson Façanha ( Baturite).

Eles estavam vindo para ocuparem seus lugares de fiscais do IAPI, junto à Delegacia dos Industriários, instalados nas super quadras.

Usando os famosos óculos Ray-Ban, tão em voga a época, nossos conterrâneos, contrataram acorrida de carro de aluguel com  o Português Abadias.

O bigode do lusitano era marca registrada e servia para identificar melhor sua origem.

O carro preto, quatro portas, Ford/Mercury, mal sai do estacionamento, já o gajo, iniciava sua catilinária,procurando mostrar seus conhecimentos a respeito das construções no planalto Central – Aqui tem de tudo, de rato a gato – De cabo a general mas quem manda mesmo é o doutor Israel Pinheiro.ante o enfado e o mutismo dos passageiros, o gajo arriscava uma pergunta  clássica: -  De onde, o senhor vem? – Os cavalheiros são turistas?

-  Somos gringos! O senhor não está vendo nosso trajar?

Nisso o carro já atingia o que seria a Avenida das Nações e suas precursoras placas de identificação. Era um desfilar de nomes dos países que já tinham reservado seus lugares e marcados suas presenças.

José Elenio, irônico indaga ao Português.

-  Onde está a placa do Estado do Ceará?

Essa gente não precisa de mais nenhum terreno; Eles estão em todos os lugares daqui.

Na Candangolândia, na sacolândia, na cidade livre, no HJKO, nos acampamentos das empreiteiras e construtoras, debaixo das pontes e viadutos, na pedreira da barragem em redor da Igreja de São Geraldo, na Usina do Paranoá.

Tal episódio relata de forma irônica a presença dos cassacos, dos retirantes, dos forasteiros, dos paus de arara e dos aratacas que premidos pela sorte e empurrados pelas catástrofes da natureza, se antecipavam , vinham –se engajar na epopéia de construir, em três anos e meio, aquilo que seria consagrada em 1960, como a capital da esperança de todos os brasileiros.

O Primeiro Natal:

Em Dezembro de 1956 realizava-se com entusiasmo e simplicidade a primeira manifestação ecumênica de comemorar o natal. Eram poucos talvez menos de 500 pessoas, submetidas as maiores dificuldades, mas que estavam participando das cerimônias natalinas – Mesmo fustigadas pelo vento e violentas chuvas que assolavam a região.

O SAPS instala o primeiro restaurante – O IAPI apressa de seu Hospital  - o SESI distribui presentes e todos participantes recebem suas lembranças, da ocasião – chaveiros, carteiras e portas níquel.

O departamento Nacional de endemias rurais já está presente na profilaxia da verminose, do tifo e das endemias diversas.
A liderança de Francisco Manoel Brandão, qual um verdadeiro patriarca, consegue levar a cada um dos presentes, mensagem prática do verdadeiro cristianismo. PAZ NA TERRA E TRABALHO PARA TODOS.

A CASA DO CEARÁ

(Num mundo dos negócios... ( José Colombo de Souza Filho)

Os primeiros cinco anos da década de 50 tinham sido pouco promissores para a economia nordestina. No Sul do país, ebulição política na Capital Federal. Seqüelas do suicídio do Presidente, governo de Café Filho, impedimentos, Novembrada e um fio de esperança no restabelecimento pleno dos poderes constitucionais.

1956 – Posse de um presidente mineiro, Juscelino de Oliveira- ninguém ousava pronunciar o sobrenome Kubistschek – Criação da Companhia Urbanizadora   da Nova Capital.  – Firma determinação presidencial  de transferir a capital  federal para o Planalto Central.

1957-  Primeira missa no cerrado, oficializando a ocupação das terras e celebrando as primeiras promessas de mudar a capital até o final do governo JK.

Divulgação das primeiras maquetas, planos rodoviários, chegada das grandes máquinas ciclópicas que iriam transformar a quietude do grande sítio em imenso formigueiro de gente, máquinas, cimento caminhões, vias de acesso e entradas vicinais.

Canteiros de obras, acampamentos, trabalho diuturno, nuvens de poeira e o imenso sítio sendo transfigurado, deformado, reinventado, redesenhado  e realinhado à vontade explícita do engenheiro, ao sonho do arquiteto as loucuras dos visionários em habitar a urbis et orbis.

Chegada das hordas inteiras de nordestinos e, principalmente, cearenses,sedentos de empregos, com fome, sede e sofrimento estampado nos rostos dispostos a fincarem seus pés na terra que lhes deu abrigo.

Eram tangedores de bodes, sabiam lavrar a terra com as enxadas rudimentares, quebrar pedras com marretas, rasear o chão rude com as picaretas e usar os músculos para carregar pedras e rolas seixos.

Foi a convocação mais barata de mão – de – obra que já se viu nos últimos 500 anos. O amontoado de gente ultrapassava as “ vilas” de sacos – as famosas sacolândias, que abrigavam os recém – chegados, cada vez maior o número. Os caminhos eram múltiplos, mas a chegada era uma só Auto Posto Paulista, Posto Colombo, Posto Tiradentes, Posto Petrobrás, Banco da Lavoura, Crédito Real, Banco do Brasil, Caixa Econômica, Brasília Palace Hotel, Pilando, Churrascaria do Lago, Boite de Cidade Livre, Presidente Bossa Nova, Farolito, etc. Igreja e capelas, Dom Bosco, Igrejinha de Fátima. São Geraldo, Rádio Nacional de Brasília, jornais locais, Gazeta de Brasília, O Candango.

1960 – 21 de abril, inauguração da cidade, os três poderes em Brasília, o Congresso  Nacional, os 28 andares – anexos da Câmara Federal e do Senado – os Ministérios, os Palácios do Planalto e da Alvorada, o Palácio do Supremo Tribunal Federal e o de Justiça, a Praça dos Três Poderes, a Rodoviária, as duas asa do Plano Piloto. O Povo nas ruas.
Agora Brasília era o agora dos tempos clássicos da Grécia.

A bancada do Ceará veio em peso para as festas da inauguração.

Os cearenses, em suas proverbiais sinas de receber bem os amigo, os parentes, os parentes dos parentes, cedo se aglomeravam em torno de pequenos núcleo, para curtirem as novidades  de Brasília e as saudades do torrão Natal.

O apartamento de cada deputado do Ceará era uma pequena “ República Alencarina”.

O Deputado Chrysantho Moreira da Rocha nunca viveu a solidão do Planalto Central. O seu apartamento, na SQS 105, desde o inicio passou a ser o mais freqüentado. Além das camas e móveis do GBT, os famosos sofás  - drago, camas de campanha Dragoflex cedo tiraram de Chrysantho a possibilidade de armar sua rede, pois não sobrava nunca espaço.
Os banheiros eram disputasíssimos, e havia até senha de espera, que eram negociadas com água.

1963 – Em 15 de Outubro, Chrysantho resolveu fechar para balanço, e nessa mesma tarde, reuniu um grupo de amigos parlamentares, jornalistas, funcionários e construtores que criaram a Casa do Ceará em Brasília.

Logo, alugaram uma loja, nas proximidades da SQS 412, onde, em cima, instalaram uma mesa de sinuca, afora os jogos de xadrez, gamão e dama. E as cartas... Essas não continuaram em Brasília Palace Hotel e na sede campestre do Clube do Congresso.

 (*) José Colombo de Souza Filho (Fortaleza) Jornalista e Servidor Público

 

 

Comentários  

 
0 #2 Francildes Souza 24-09-2013 17:46
:lol: orgulho de ver este texto escrito com tanto detalhe e história.!!
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0 #1 fatima maria ferreir 02-04-2013 23:13
como foi bom lembrar de tudo isso pois sou cearense e estou aki desde 15 /11/1958 adoro lembrar tudo isso amigo e tenho mil historias ainda á serem contadas espero um dia poder falar pra você tudo isso com carinho .d fatima como me chamam
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