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21 de abril de 1960 PDF Imprimir E-mail
Escrito por FONTE: Diário do Nordeste   
Qua, 21 de Abril de 2010 00:00

Mais de 150 mil convidados de todo o País participaram da concorrida festa de inauguração de Brasília

Brasília. Muita gente trabalhando na conclusão de prédios, arrumando salas, gabinetes, outros preparando a cidade para a festa de inauguração da futura Capital Federal.

Aos primeiros minutos do dia 21 de abril de 1960, o cardeal português dom Manuel Gonçalves Cerejeira, representante do papa João XXIII, deu início à celebração de uma missa solene, na Praça dos Três Poderes.

A revista O Cruzeiro conta que sobre o altar, erguia-se a cruz de ferro que, 460 anos antes, abençoara a primeira missa em terra brasileira, rezada por frei Henrique de Coimbra, capelão da esquadra de Pedro Álvares Cabral. Trazida do museu da Sé de Braga, em Portugal, a velha cruz não foi a única relíquia incorporada à solenidade: minutos mais tarde, no instante da Consagração, repicou o sino cujo toque teria anunciado em Vila Rica a execução de Tiradentes em outro 21 de abril, o de 1792.

Nesse momento solene, as luzes da praça, até então apagadas, se acenderam teatralmente, ao mesmo tempo em que dois potentes holofotes miraram o céu, cortando com seus fachos coloridos o breu da noite planaltina.

Não é de espantar que na primeira fila o então presidente Juscelino Kubitschek tenha caído no choro. Às 8 da manhã, JK já estava de pé na praça ouvindo o toque de alvorada pela banda do Batalhão de Guardas. Em seguida, o presidente fez o hasteamento da Bandeira Nacional, já ostentando a vigésima segunda estrela que representava o novo estado da Guanabara, ex-Capital Federal.

O acontecimento teve cobertura internacional. A imprensa de todo o mundo deu destaque ao evento. Houve parada militar em homenagem aos 64 mil candangos, que trabalharam na construção. Eles desfilavam com suas "roupas de domingo" em meio aos mais de 150 mil convidados.

Logo pela manhã JK presidiu uma reunião do ministério que marcou formalmente a instalação do poder Executivo na nova Capital.

O primeiro ato oficial do presidente foi a assinatura de mensagem, propondo a criação da Universidade de Brasília

À noite, ao som da orquestra do pianista Bené Nunes, Juscelino Kubitschek vestiu casaca e foi com dona Sara recepcionar os três mil convidados do baile no Palácio do Planalto.

A festa popular foi no eixo monumental. Numa paisagem em que a poeira do planalto cobria democraticamente as cartolas e casacas das autoridades e as roupas domingueiras dos trabalhadores, tudo era festa em Brasília naquela data marcante para o País.

O repórter José Amádio, que na época cobriu a inauguração, escreveu na revista O Cruzeiro que um grande problema na nova cidade foi a falta de acomodação. Ainda não existiam apartamentos para todos e o Brasília Palace Hotel estava lotado.

Houve deputados e senadores dividindo um mesmo teto, no que a Tribuna da Imprensa classificou de "coletivismo".

O sufoco imobiliário contribuiu para estressar o deputado maranhense Neiva Moreira, responsável pela mudança da Câmara e do Senado, que baixou no hospital.

Muita gente reclamou da espera nos três únicos restaurantes de nível em funcionamento, mas também do sanduíche de mortadela a 70 cruzeiros.

A revista Veja revela que na festa de inauguração, nos palácios da Praça dos Três Poderes, mais de uma pessoa, não necessariamente capiau, entrou com tudo nas paredes e portas envidraçadas, "modernidade" à qual nem todos estavam habituados.

No prédio do Congresso, um segurança barrou a entrada de um cinquentão meio calvo, porque ele vestia blusão em vez de paletó, até que alguém identificasse o visitante: o arquiteto Oscar Niemeyer.

O deputado gaúcho Clóvis Pestana tornou-se pioneiro em acidentes de trânsito brasilienses ao ser atropelado, sem maior gravidade, por uma Rural Willys - uma das estrelas da incipiente indústria automobilística nacional, ao lado do DKW-Vemag, do Fusca (que ainda não tinha o apelido), do Dauphine, do Aero-Willys, do Simca Chambord e, sensação das sensações, do luxuoso FNM 2000, fabricado no País sob licença da italiana Alfa Romeo e batizado "JK".

Foi ao volante de um desses reluzentes xarás que Juscelino, na tarde do dia 20, fez sua entrada apoteótica em Brasília, vindo do Catetinho, para receber a chave da cidade das mãos de Israel Pinheiro, o presidente da Novacap Cia Urbanizadora da Nova Capital).

O cortejo de mais de 200 carros atrás do JK de Juscelino Kubitschek levantou tanta poeira que, segundo a Folha de S.Paulo, os motoristas nada viam "além de 4 metros"

Brasília é a terceira capital do Brasil, após Salvador e Rio de Janeiro. A transferência dos principais órgãos da administração federal para a nova capital foi progressiva, com a mudança das sedes dos poderes Executivo, Legislativo e Judiciário.

(Wilson Ibiapina)

 

 

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